Artur Hermano
ESTRANHOS
É um mundo difícil, e às vezes pequenas irrelevâncias levam a grandes dramas, guerras e tragédias, mas eu continuo acreditando na bondade de estranhos Na madrugada nebulosa em que um refugiado me deu refúgio em um país estrangeiro, uma luz na escuridão, que brilhou mais forte que o castigo da Torre de Babel Na noite chuvosa em que três desconhecidos me socorreram quando eu desmoronei em público, seu fulgor de estrelas cadentes me fez acreditar em pedidos realizados pelo astral Até mesmo naquele dia tão claro, as lanternas daquele grupo de estranhos brilharam mais forte que o sol quando me guiaram pelo labirinto escuro Os sorrisos, remédios e companhias em uma terra distante, na ilusão de viajar sozinho, quando na verdade estava cercado pela minha Grande Família E a minha irmã, salva por tantos cujos nomes ela não sabia, trazida de volta, incrédula e com o maior sorriso, interno, que eu já vi... Ela tentou esconder a surpresa e alegria, mas eu vi através de seus olhos a luz mágica, acesa por incógnitos As aventuras guardadas na minha memória estão sempre sob um céu estrelado, e cada lampejo é um sorriso de gratidão ao longo da jornada. Não existem estranhos – tudo é um.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
Quero o livro
← voltar aos autores
Preparando…