O Amor é Um Grito · página 54

Carolina Barros

Sem título

eu poderia ser vencida pelo medo e recuar sem volta,
mas tenho aprendido a ser criança de novo
e a enxergar com olhos de desejo e anseio,
pela vida.
não parar é uma escolha,
me reinventar e te desvendar também.
mergulhar no preto dos teus olhos e do teu corpo
é penetrar na mesma imensidão dos teus lábios,
que te guiam e te trazem em direção a mim.
é querer desbravar caminhos que despontam entre teu pescoço e tuas coxas,
que me perdem e me acham
na mesma proporção em que te encontro.
viver é sobre coragem, te ler também.
te desejo (inteira) a tal ponto que me questiono:
por onde me levarão os teus caminhos?
por onde seguiremos nos caminhos?
o meu medo escorre pelas tuas pernas,
na minha boca.
busco as trilhas do teu corpo
fazendo da minha língua a coragem
e dos meus dedos a flecha certeira
que te revira os olhos
e te goza intrépida,
recordando os motivos de continuar a querer que
se abra
para mim e em mim,
outra vez.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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