Carolina Barros
Sem título
eu poderia ser vencida pelo medo e recuar sem volta, mas tenho aprendido a ser criança de novo e a enxergar com olhos de desejo e anseio, pela vida. não parar é uma escolha, me reinventar e te desvendar também. mergulhar no preto dos teus olhos e do teu corpo é penetrar na mesma imensidão dos teus lábios, que te guiam e te trazem em direção a mim. é querer desbravar caminhos que despontam entre teu pescoço e tuas coxas, que me perdem e me acham na mesma proporção em que te encontro. viver é sobre coragem, te ler também. te desejo (inteira) a tal ponto que me questiono: por onde me levarão os teus caminhos? por onde seguiremos nos caminhos? o meu medo escorre pelas tuas pernas, na minha boca. busco as trilhas do teu corpo fazendo da minha língua a coragem e dos meus dedos a flecha certeira que te revira os olhos e te goza intrépida, recordando os motivos de continuar a querer que se abra para mim e em mim, outra vez.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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