Henrique Paiva dos Santos
CARDIOLOGIA ARQUEOLÓGICA
amor se sente nos ossos como velhos sentem a chuva chegando agora estou com osteoporose sinto até demais desatina e desorienta tem efeito paradoxal não deixa sentir nada não consigo me mover os ossos rangem com o peso do amor ameaçam trincar dói onde não deveria não se cura com dipirona erram quando pensam em coração amor e osso tão óbvio como não veem? estruturas que sustentam o que resta quando o tempo passa serei arqueólogo de amores jurássicos retrato fiel de nossa era não há erro onde dói há verdade onde há amor há futuro chance de perdurar vencer a vilania do tempo
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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