O Amor é Um Grito · página 105

Lila Arévalo

ME DIGA AÍ NERUDA

A saudades absurdas que me invadem
Me consomem na madrugada longa
de uma lua canceriana
Sinto
Desejo
Suspiro
Deito e fecho os olhos
Será que se eu sonhar te encontro?
Será que no sonho ainda somos?
O que?
Um dia você me perguntou
O que somos?
Eu não soube dizer
Quis gritar que éramos amor, o mais puro de todos!
Mas tive medo
De você sair correndo
Porque eu achava que isso ia te apavorar
O que eu não imaginava
Era que você temia que eu não te amasse
O que somos? O que poderíamos ter sido?
A madrugada, as saudades, tudo só pulsa
E eu penso no verso famoso de Neruda
“Que importa que meu amor não pudesse guardá-la
A noite está estrelada e ela não é mais minha”

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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