O Amor é Um Grito · página 273

Lucas Cruz

DESENCANTO

Sendo assim, eu sabia
Enquanto você sorria eu sibilava gritos escondidos
No estranho conflito do que eu nem sei o que sinto
E você saía, corria e voltava
Abalando-me nisso que nem sequer posso chamar de destino

Seu desespero acendia-me em seus olhares de tocha
Passeando em vermelho todos meus acertados erros
O cigarro caia enquanto formulava frases que nem deus conhecia
Chamego desastrado nesses eu te amo desencontrados
Busco trovas e sonetos perdendo-me em meus versos
Pois não posso perder-me em ti e nos seus perfumados abraços
Por isso grito cantos desconhecidos em algum canto abafado

Mesmo distante você permanece sendo encanto

Sigo bebendo seus lábios em tantos beijos desencontrados
Que não são seus
Sua constante embriaguez me embebeda
Não sei mais o quê ou quem sou
Os gritos abafados perderam-se em meus seus passos

Então vou me embora para Pasárgada
E minhas preces refazem nosso canto

Encanto...

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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