Lucas Cruz
DESENCANTO
Sendo assim, eu sabia Enquanto você sorria eu sibilava gritos escondidos No estranho conflito do que eu nem sei o que sinto E você saía, corria e voltava Abalando-me nisso que nem sequer posso chamar de destino Seu desespero acendia-me em seus olhares de tocha Passeando em vermelho todos meus acertados erros O cigarro caia enquanto formulava frases que nem deus conhecia Chamego desastrado nesses eu te amo desencontrados Busco trovas e sonetos perdendo-me em meus versos Pois não posso perder-me em ti e nos seus perfumados abraços Por isso grito cantos desconhecidos em algum canto abafado Mesmo distante você permanece sendo encanto Sigo bebendo seus lábios em tantos beijos desencontrados Que não são seus Sua constante embriaguez me embebeda Não sei mais o quê ou quem sou Os gritos abafados perderam-se em meus seus passos Então vou me embora para Pasárgada E minhas preces refazem nosso canto Encanto...
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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