Maria Carolina
GATO PRETO
amanheceu com um gato preto morto na porta da livraria vestígio da sexta feira treze que aconteceu em janeiro, em uma manhã cheia de desesperança, vejo você na estante, caminho e sinto o meu coração partido, fatiado, mutilado, sufocado, tem um nó na garganta uma irritante lembrança uma dor silenciosa gritante, sofro e canto não choro, mas deveria, secar você do peito, eu sinto tanta tristeza e desejo espero todo dia encontrar por acidente o seu olhar entre os corredores do outro lado da avenida, ou na direção oposta uma coincidência que apenas poderia acontecer com nós dois o adeus é tão difícil quando não acontece por um descuido cai em seu mundo de fantasia estou presa a uma possibilidade senti o uso, descarte, menti, eu me sinto nada não sou nada nunca serei nada tenho em mim todos os sonhos do mundo solitária
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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