O Amor é Um Grito · página 224

Maria Félix

A CONSTÂNCIA DO AMOR

Na viagem eterna dos tempos, o amor persiste, insiste
Como o eco do sagrado e profano, não desiste.
Na traição de Adão, na história da origem,
O amor transcende o erro, a culpa, o abismo.

Na oferenda do fruto proibido, deu- se o conhecimento,
Mas Adão desfez o laço do sentimento.
Pois o amor não tolera o que não é cúmplice do fato.
Ele partilha o desejo, é plano e é tato
Fragiliza-se na traição da negação do ato.

Em Tristão e Isolda, Romeu e Julieta,
Amaram com o fervor, de uma vida incompleta.
Mesmo na morte, o amor não se anula,
É a chama que queima, nas almas perdura

Camões, em versos, fez do amor um canto,
Platônico ou carnal, segue o seu encanto.
É toque, é espírito, é corpos entrelaçados,
É fome, é ritual, é riso e pranto

Nem a era digital o anulou
Não o fez ínfimo, nem frio ou sem desafio
Quem o subestimou, testemunhou
Essa estranha conexão
Não o esvaziou.

Cantado, orado, pintado, digitado, descrito e escrito, em cada época resiste,
É poesia, é música, é romance que persiste
É lágrima, é alegria profunda, é o pulsar do coração,
É a sinfonia da eterna conexão.
O amor não se apaga, é eternamente forte,
No tempo e além, desafia a morte.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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