Murilo Melo
METamorFOSE
No peito, um compasso a se formar!
Batimentos firmes batucando: amar, amar, amar...
Células descompassadas em intensidade; dançam
Formam-se sínteses arruinadas, intencionadas, inéditas.
É o coração amando, paralelo a vida exigindo evolução.
O amor exigindo entrega,
a vida pega, a razão nega, o sentimento exagera e transborda a equação.
Menos parar e mais se mexer,
menos exatidão e mais amar.
Somos o que somos, amando, por amar...
Corações, quando apaixonados, soam mais alto, e gritam:
“Casulos não são eternos quando se ama!”
A mudança é o passo entre a crisálida e o voo.
O amor muda porque expandimos amando!
Ele enxerga a infinitude da humanidade inacabada,
enquanto escuta;
lateja, faz latejar.
tateia, faz tatear.
fareja, faz cheirar.
Saboreia o inimaginável, e faz degustar.
O amor enxerga, e faz vislumbrar; a si e ao outro, aos outros...
Combina diversificadamente,
combina mentes, iguais e distintamente,
divergentes se encaixam,
convergentes se abraçam.
Há força no laço ilógico, humano e difundido.
É através do amor que aguçamos a percepção dos sentidos,
expandidos, e, sem ponto final, sentimos..Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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