O Amor é Um Grito · página 238

Naira Diniz

TUDO ME LEMBRA…

Às vítimas de relações abusivas

Tudo me lembra de teus lábios traidores,
De tuas palavras, como punhais, de dores
Encheram m’ a alma e a vida

Tudo me lembra teu cínico riso,
Fatal serpente, que sem aviso,
Sufocou-me até que perdesse o ar!

Tudo me lembra as promessas vazias,
Que a todo momento me fazias
Se não cumpriria, porque as fizeste?

Tudo me lembra as solidões passadas,
Violentas tormentas enfrentadas,
Enquanto tu… Aonde estavas mesmo?

Tudo me lembra os terrores infligidos,
Ocultos nos olhos assustados e úmidos,
E tu, indiferente, simplesmente ria

Tudo me lembra os pensamentos aflitos,
O desespero diante dos conflitos,
Arrastando-se pelos dias e horas sem fim

Tudo me lembra as carícias enganosas,
Não passavam de espinhos que das rosas
A maciez sabem ferir

Tudo me lembra as horas de agonia,
A calmaria que precedeu a doce epifania,
Quando da prisão me retirei

Tudo que me resta são as duras marcas,
Lembranças arrastadas pelas asas
Dum tempo injusto e cruel

Tudo que quero é viver em liberdade

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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