O Amor é Um Grito · página 10

Natália Alencar

OSTRA SISMO

A minha pele
Margeia o tempo
Olha tudo ao redor
Ressabiada

É que por dentro

Uma ostra danada
Murou um grande forte

Ganidos se ouve
Roendo a parede
Infiltrando o coração
Tudo que ela não toca
Orbita, em alarde, a sua solidão

                       Então ela grita
               Um racho profundo

                      Nasce um rio
                      Abraçando o mundo
                           Ostra, sismo, comunhão

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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