Ramona Azevedo
ERA VIDRO E SE QUEBROU
O amor é um urro, um uivo, um grito. Murro em ponta de faca. Quem com ele fere, também sairá ferido. Flecha certeira cravada no peito. O amor é um defeito, uma brecha, um mito. Uma ilusão visionária. Desejo insistente e quando ausente, mata. Sonho obscuro de um ego aflito. O amor é um sussurro, um choro, um gemido. Remédio imaginário da vida. Nas chegadas, nas partidas, nas surpresas da jornada, o milagre perfeito ou a desculpa esfarrapada. O verdadeiro amor está mudo e dele sabemos quase nada.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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