O Amor é Um Grito · página 194

Silvana Brugni

AMOR PLATÔNICO

És fascínio,
feitiço lançado em mim
que meus poros aspiram,
e inebria-me pelo ar.
Enaltecida em perdição,
qual alquimia sigo cega,
lançando-me a paixão.
Sem ousar te tocar,
ao seu redor invisível
pairo a dançar.
Qual manto em espiral,
esvoaçante, inefável pelo ar.
És de forma tão ideal,
qual perfeita escultura,
feito pura inspiração
de tudo que mais belo há!
Penetro tua alma e sua aura resplandece,
qual fogo que arde em luz.
Desvaneço-me no seu ser,
inalcançável, que me atrai e seduz.
Malgrado nunca vieres a saber
do quanto me cativou,
e do quanto amei você,
deixe que esse amor
puro, platônico e louco,
morrendo seja ao menos...
sepultado em teu corpo!

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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