O Amor é Um Grito · página 110

Tati Sousa

DESORAS

Tua língua
entre minhas coxas,
perdida nas entrelinhas do poema,
some na buceta que te sonha.

Antes que o galo cante três vezes,
foge nas badaladas do relógio,
e vem!
Sem convite.
Sem carta de anuência.
Sem vergonha.

E se amanhã!
Por que amanhã demora.
E o peso do teu silêncio
desbota o desejo que arde
nos lençóis da minha cama solitária,
vibrador abandonado sem pilhas,
dedos escorregando a de te chamar,
(aos gritos...)

Te pedindo –
Me come, gostoso!
Não pára!
Me cansa!
Me abre até onde o rio é grande
E encontra o mar que rebenta na praia.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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