O Amor é Um Grito · página 203

Victoria Abdias Mendes

O AMOR

O meu primeiro amor foi uma dama.
Vadia nas ruas, santa nas camas. Esposa sem dono ou sobrenome, com lábios
de perdão e mel.
O meu primeiro amor deitou-se nua na estrada e esperou atentamente o
instante de partir meu coração.
O meu segundo amor grampeou as dobras do meu peito, cicatrizou a ferro e
fogo meus sentimentos.
Mas meu segundo amor, de cabelos negros e cacheados, que tinha o hábito
de sorrir fora de hora, punha flores por trás das orelhas, meu segundo amor
não me amou.
Ou se esqueceu de tal.
O meu último amor não existiu.
E nunca existirá.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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