ágata pagu
OBRA INACABADA
costurar e criar uma teia que retenha as rosas
mostre as cicatrizes expostas
mais três velas ainda precisarão ser acesas
e três luas ainda por aqui se passarão
percebo, tudo mora na idealização
spray vermelho tinta bordô
experimentar o pudor,
amor
experimentar o rubro
AMOR
experimentar o humor
costurar costurar costurar cartas de fuga
voos de rapina
olhos que vêem
duas fugitivas
duas amantes
duas mordidas
duas luas minguantes
duas encruzilhadas são olhos que espiam
no que se cruza, se torce, inflama
não tema, ora se proteja
não pregar os olhos que protegem,
vigiam, são pares
durmo. acordo em relance. não descanso.
tenho você ao lado
perco a vista pro sono pra lembrar da estrada
com todo o imediatismo teu, retorno ao breu
não sei mais o gosto dos teus lábios
o poder em deixar ir, memória devorada
pela urgência em raiar amanhã e a lua acender o quintal
tento transmutar
me fazer papel dobradura altar
assobio
o sabiá sabe que se há desassossego
se quebra no alagar
o amor dá asas, e sabía só sossega
no tecer de outro canto para cantar
e as crianças amanhã, como ficam?
não há o que florescer do amor nos rodeios da injustiça
todavia, amanhã,
sou outra gente outra carne
povoada do imaginário viver a fantasia fantasiada sem porcelanato
uma parede de rua rasgada
sou um muro pixado.Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
Quero o livro
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Preparando…