Lígia Vaz Pol
MERGULHO TROPICAL
hoje sou um pouco mais poeta, amor as palavras secam em ranhuras quando escrevo pelo silêncio profano análogos em tua moldura rezo para que pintem os nossos nomes sinônimo de tudo que dizem de nós pacificamente caóticos como as nossas transliterações sem voz ainda que morra na primavera, tanta dor que perpetue a vida dos azarados todos esses que tiveram a sorte de chorar por amor ainda que os céus desenhem que os teus olhos desviem do sol e o doce só te molhe a boca com sal Iemanjá para os meus fios de cobre caracol me faça coral cinzento da morte com os meus olhos que navegam sempre espertos que descanse nas águas à espreita do bote estarei mais uma vez a mergulhar em ti, decerto
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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