O Amor é Um Grito · página 84

Débora Rubin

AMOR QUE É SILÊNCIO

Como se grita o amor proibido
sabido, mas escondido,
dos olhos de quem ama o amor alheio?

Como se grita o amor que morre,
que parte,
vira vazio, luto
e só deixa saudade?

Como se grita o amor platônico,
jamais descoberto por quem é amado,
vivido pelo solitário
em noites de angústia?

E quando o amor é sintonia,
doce, leve feito vento morno de fim de tarde,
feito por dois, nas coisinhas pequenas dos dias?

Aí não grite. É melhor não fazer alarde.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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