O Amor é Um Grito · página 83

Marina Ribeiro

VERBO PROIBIDO

Se o amor não é para todos, para que amar?
Se não é permitido, qual o sentido do verbo?
Quando se perde a ação, para que verbiar?
O amor, ele não faz sentido
Talvez ele seja só um suspiro
Daqueles que não se permitem amar...
Ou ele seja um tirano que aprisiona
Os proibidos do tal amor normativo
— Ele não existe, ele nunca existiu.
Nos rumores desses males amores
Nenhum amor é normal,
Nos tempos da selvageria, ele era irracional
Agora querem calcular uma razão matemática
Quantas batidas fazem o coração?
Quantos neurotransmissores no cérebro?
Qual a linha cartesiana do amor?
— Vamos proibir o amor, porque desse tal jeito
É inapropriado, não é amor.
Então vamos amar às escondidas,
Amar em segredos
Fazer desse verbo uma ação única e só nossa.
O amor não é para ser visto.
— Ele foi proibido em todas as instâncias da vida,
E da pós vida, se ela existir.
Acontece que é, e repito em letras garrafais
PROIBIDO AMAR.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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