Filipe Russo
PIANO
Tu dedilhas martelinhos pulsantes num armário de madeira ou caixão? Tantas vezes tentei te dizer não. Na caixa de fitas bailarina antes, no acorde pula nua cordas dançantes. Convertes valsas vagas em paixão, na música iças um louvor irmão tanto teu quanto meu, ó véu de amantes. Tarde da noite e, tu ainda não me notas. Terei de me deitar sobre o piano? Sequestrar-te destes ritmos e notas. Pela aurora que eclipsa o tom ciano dos membros mortos com os quais me tocas o som sobe e sussurra: eu te amo.
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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