Nil
SEGUNDA-FEIRA
nem foi de primeira, ainda seria clichê na segunda? terça eu te vi e quis fugir. me falaram de malas e medo, mexi no teu cabelo e seu abraço fez meu porvir. nem foi de primeira, de certo seria clichê na segunda! quarta foi quando te escolhi. me levou pra trás dos brinquedos, e apoiado no meu joelho minha boca te fez sorrir. nem foi de primeira, de segunda à quinta feira, sexta à noite sem dormir. me animava na tua sala, me escondia dos teus pais, me queria até sumir. foi de primeira, quando passou sexta feira, sábado no chão, cantando jão chorando teu olhar ouvindo “aqui” a partir daí, sem precisar confusão domingo foi quando tu começou a ruir. primeiro, seus olhos segundo, você terceiro, sua mãe no quarto, nus ela nos vê na quinta, desligo e sexta cê não vem me ver no sábado, evito finalmente domingo, estranho prazer a segunda chega, e não sei mais dizer… até onde que eu sou, até quando pode ser, todo êxtase de ter na beliche tão alta nas palavras molhadas o que sou além da ressaca, o que sou na segunda-feira pra você?
Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.
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