O Amor é Um Grito · página 258

Rosely Aparecida Daltério

FLOR NO CAMINHO

Amor:
será que dá em árvore,
cresce no galho,
busca um atalho e floresce no ar?

Amar:
será que amar dá trabalho?
Como será que seria
se o amor durasse um só dia,
flor de breve exposição?
Amor que sequer rimaria,
ainda assim mereceria
fazer par com algum coração.

De que flor se trataria?
Flor de amoreira,
labor de bicho-da-seda,
fiando o amor que viria
como a flor da cerejeira,
já cantada por Neruda
em primavera atemporal?
Ou seria tão somente
uma muda, tímida e única,
escondida em algum quintal?

Amar, amor, amoreira:
breve flor,
flagrante aroma de flor passageira,
no encalço do amante de olhar peregrino,
sem eira nem beira,
que leva, nos olhos,
o caminho.

Texto publicado na antologia O Amor é Um Grito.

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